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Felicidade I

Felicidade não é ter dinheiro,

isso é consequência.

Felicidade não é esbanjar,

isso é aparência.

Felicidade não é se apegar a alguém,

isso é dependência.

Felicidade não é ter talento,

isso é latência.

-x-

Felicidade é ter um objetivo

e seguí-lo com inteligência.

Felicidade é tropeçar, cair,

e se levantar com frequência.

Felicidade é acompanhar o ritmo

sem perder a sapiência.

Felicidade é percorrer o caminho

entre o querer e o conquistar.

E haja paciência.

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Joelho Ralado

Não importa o quanto o chão seja duro

Não importa se você tem medo do escuro

Não importa se estás ou não maduro

Levante-se

Não importa se te deram uma rasteira

Não siga tapando o sol com uma peneira

Ficar se lamentando é uma grande besteira

Levante-se

Não importa se você sente-se sozinho

Não importa se você não tem um ninho

Uma hora terás de voar como um passarinho

Levante-se

Não importa se você tem receio

Não importa o motivo do seu bloqueio

Você tem de mostrar a que veio

Levante-se

Não tenha medo de cair novamente

Dói muito mais quando a gente pré-sente

Mas se acontecer de novo, não se lamente

Levante-se

Você tem que se doar ao mundo

Por mais que este seja imundo

Mudá-lo é seu desejo mais profundo

então Levante-se!

De fato, quanto maior o voo maior a queda

Mas quanto maior a queda maior é a lição

E quanto maior a lição mais forte ficamos.

Robson Ribeiro

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Memória-previsão

Paradas ali, de fronte uma pra outra,

as criaturas queixavam-se da própria sorte:

A mais nova dizia: tenho inveja de você, Lua.

Você tá sempre aqui em cima, descansando.

Você tem todas as estrelas ao seu redor.

E você não precisa fazer mais nada.

A mais velha: pois eu te invejo, Fada.

Você ainda tem suas belas asas.

Você ainda não se prendeu à uma rotina.

Você ainda não precisa esconder uma das faces.

Quando dei por mim, pensei:

Acho melhor parar de reclamar do espelho.

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Como sempre

Antes de você:

A Terra girava,

O Sol nascia,

Minha vida seguia

como sempre.

Junto de você:

A Terra girava,

O Sol nascia,

Minha vida seguia

como sempre.

Depois de você:

A Terra gira,

O Sol nasce,

Minha vida segue

como sempre.

O que mudei?

O quê? Mudei.

Robson Ribeiro

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A Valsa

Valsando como valsa

trata de dançar a vida,

trata de viver a dança,

dança por estar viva!

Como uma criança

guarda a esperança,

encontra perseverança,

perdida numa crença.

Assim entra na roda,

roda viva de paixão.

Sentidos, poesia e prosa

pulsam em seu coração.

Mas a noite tá no fim.

Noite boa. Mesmo assim

não há medo, só alegria!

Por que temer a luz do dia?

Robson Ribeiro

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sem Nome

O meu relógio não se mexia,

o meu mundo era aquela praça.

Meu casulo de inocente alegria

era tecido com o ar de tua graça.

Eu falava, falava e falava. Pena.

Quase nunca eu ouvia. Desculpa.

Hoje sou uma pessoa mais amena,

mas a que custo? Minha culpa.

O sonho? Ser feliz pra sempre.

Mas, de repente, o labirinto.
A loucura me caiu no ventre

Amarga e indigesta como absinto.

Muito sonhei, pouco vivi.

O sonho foi virando pesadelo,

urubu no lugar do bem-te-vi.

Esqueci de acordar, hoje eu vejo.

Não joguei a âncora e você se foi.

Não plantei nada e você se foi.

Não disse “bom dia” e você se foi.

Eu fiquei perdido e você se foi.

Tarde demais nunca foi tão tarde.

Mesmo assim não saberia o que fazer.

Não saberia o que, nem como dizer.

Talvez eu continue um covarde.

Como noiva no altar sem o anel,

Alma penada procurando o céu,

Cavalo inanimado preso no carrossel,

Pintor com tinta sem pincel.

É assim que eu me sinto quando penso,

quando seco o rosto, quando me rendo.

Esse momento está por demais extenso,

com cara do pesadelo mais horrendo:

Preso na eterna e densa escuridão,

com uma flecha travessa no coração,

olhos bem abertos sem intenção,

vendo você distante e sem reação.

E pensar que meu relógio não se mexia,

que o meu mundo era aquela praça.

Que o meu casulo de inocente alegria

era tecido com o ar de tua graça.

Quem poderia imaginar?

Quem pode explicar?

Robson Ribeiro

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A vingança

Pedaço de mim arrancado

deixou-me na carne viva

a alma morta. Sem vida.

O sangue jorra amargo.

Ninguém cuidou do feto

torturaram-no a fogo e ferro

largaram-no sem essência

do labirinto da existência

deixado ali pra morrer

mais um corpo sem um ser

vai renascer sem lógica

como a ave mitológica

teu ciclo de dor me amarra

pelo menos não sou imortal

no dia do juízo do final

eu vou rir na tua cara.

“Senhor escreve torto.”

Robson Ribeiro

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