Arquivo do mês: maio 2010

Em memória

A melhor lembrança que eu tenho de nós dois? Bom, a melhor lembrança que eu tenho de nós dois é, sem dúvida, daquele dia que fomos no Finsbury Park, em Londres. Mesmo hoje eu posso lembrar de cada detalhe.

Eu acordei 6:14 da manhã – bem antes do despertador, programado pras 7 em ponto. Nós tínhamos combinado sair as 8, então 7 era um horário razoável pra acordar. Mas eu acordei antes e, ansioso demais pra conseguir dormir de novo, eu levantei. Tomei meu banho e fui pra cozinha aprontar o café da manhã.

Acordei-te pouco antes das 8. Você não despertou de cara. Meio zonza – com sono – demorou um pouco pra entender o que eu fazia ali, em pé ao lado de sua cama com aquela bandeija nas mãos. Quando se deu conta, ajeitou o cabelo da melhor maneira que pôde, tateou o criado mudo ao lado da cama à procura dos óculos e, quando finalmente os colocou no rosto, sentou-se na cama e disse: “Você é maluco!”. Eu interpretei como um “obrigada”.

Esperei você se ajeitar na sala, lendo o horóscopo. A sinastria amorosa de escorpião e leão não é das mais animadoras quanto ao temperamento do casal, mas uma coisa me deixou contente. Dizia a frase: “…assim como escorpião, leão adora uma amor romântico.”. Sobre a previsão amorosa do dia, coisas muito ambíguas – como sempre – do tipo: “…se você está só, um novo amor pode aparecer. Se está acompanhado, um novo fogo ascender-se-á em seu relacionamento. Mesmo assim gostei da parte “um novo amor pode aparecer”.

Ouvi-te descendo as escadas, então fui te esperar ao pé. E a princesa desceu da torre mais alta bela como só ela poderia. Com seu cabelo preso num rabo-de-cavalo e sua franja penteada um pouco de lado, ela parecia flutuar em seu vestido branco de alcinhas. Eu fiquei ali, imóvel, hipnotizado com sua beleza, e o anjo – ao tocar o chão – perguntou: “vamos?”. “Sim”, respondi. Saímos.

O dia estava lindo. Era primavera na Inglaterra, e a temperatura girava – agradável – em torno dos 22 graus. Um dia quente, fora do comum mesmo naquela época do ano. O céu estava limpo, azul, e o sol radiante – tanto quanto eu, com tua presença. As árvores estavam todas verdinhas, assim como a grama, onde pequenas margaridas davam um colorido especial. Pessoas corriam pra lá e pra cá com seus IPODs, fazendo cooper, outras de bicicleta. Ao longe eu podia ouvir uma partida animada de futebol.

Nós nos sentamos debaixo de uma árvore – o que faríamos por todo o tempo que permanecemos na “Terra da Rainha”. E conversamos. Muito. Falamos sobre nossos irmãos, nossa família. Falamos sobre o mundo. Eu falei sobre mim, e você sobre você. E falamos sobre nós.

Nós estávamos numa época um tanto conturbada. Nem você, nem eu, queríamos algo sério (que ironia!). Eu estava me procurando, e você a si mesma. Mais tarde eu viria a entender: nós nos encontramos um no outro, naquele dia.

O sol já deitava no horizonte , dizendo-me: “ande logo, rapaz, que já são 9 da noite!”. É, os dias são mais longos mesmo, na primavera inglesa. Você pareceu ouvir o alerta, pois ficamos mudos ao mesmo tempo. Eu evitei teus olhos. Você evitou os meus. O silêncio perdurou por uma eternidade. Mesmo os pássaros calaram. Então eu cheguei mais perto, encurtei a distância. Você venceu a linha tênue que nos separava. Eu fechei os olhos. Busquei teu rosto com minha mão – eu sabia exatamente onde ele estava. Toquei-lhe a face de forma tão suave que pensei estar sonhando. Minha mão não precisou conduzir-te. Senti tua respiração próxima da minha.

E nos beijamos.

Hoje faz, exatamente, 47 anos que nós demos aquele primeiro beijo. Minhas pernas vacilam, logo menos vão me trair de vez. Mas eu simplesmente não podia deixar de vir. Ano após ano, mesmo depois que você se foi, eu NUNCA deixei de sentar ao teu lado pra recordarmos aquele dia, e renovarmos nossos votos. Não seria hoje que eu deixaria de fazê-lo.

Eu sei que você não vai gostar de ouvir isso – de novo – mas é verdade. Eu não vejo a hora de te reecontrar. Eu sinto a sua falta.

Robson Ribeiro

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Espetáculo dos Sentidos

Tua voz, bela melodia

sussurada ao pé do ouvido.

Me delicio, fico perdido,

tomado pela fantasia.

Teu corpo, escultura

perfeita, uma pintura.

Me delicio, sem ação

tomado pela sedução.

Tua pele se arrepia,

macia, parece veludo.

Me delicio, fico mudo

tomado pela magia.

Teu aroma entorpece:

perfume natural, doce.

Me delicio, viro ator,

tomado pelo amor.

Tua boca, vários sabores:

beijo recatado, ousado.

Me delicio, apaixonado,

tomado pelo descontrole.

Espetáculo dos sentidos,

teu unico defeito (ou não),

é nao ter – de fato – existido,

senão em sonho, imaginação.

Robson Ribeiro

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A moça e a árvore

A árvore tem vida

A moça também

A árvore é florida

A moça também

A árvore quer frutos

A moça também

A árvore conta minutos

A moça também

A árvore perde folhagem

A moça também

A árvore seca, estiagem

A moça também

A árvore recomeça a lida

A moça também

A árvore tem vida

A moça também

A árvore tem raízes

mas isto a moça não tem

Robson Ribeiro

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Minha Natureza

Quando as estrelas caem

e nada pode me levantar

e o meu chão vira teto

só me resta dizer amém

só me resta acreditar

nos planos do Arquiteto

Quando os salgueiros choram

minhas lágrimas são dilúvio

e pra me salvar Arca não há

batidas descompassadas se apegam

mas não tenho outra opção, viúvo,

a não ser deixar que se vá

Quando o vulcão adormece

eu me permito – preciso – sonhar

assim o magma fresco mantém o calor

sonhar me fortalece, me aquece

enche meus pulmões de ar

dá vida à sépia batida e sem cor

Assim eu pinto minha natureza

com um Sol que não gira sozinho

com uma Lua que míngua na solidão

assim encontro beleza, pureza

quando volto – sempre – ao ninho

e encontro você em meu coração

Robson Ribeiro

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Faça o que tu queres, mas não diga o que tu pensas.

Hoje eu posso ver: em matéria de crescimento, não há método mais infalível que o de tentativa e erro – erro entre aspas. Nós, seres humanos, somos dotados de livre arbítrio – mais arbitrado que livre, é verdade, mas esse não objeto de discussão agora.

Esse livre arbítrio nos faz querer dirigir nossa própria vida. Uns mais, outros menos, o fato é que nenhum de nós gosta de ouvir os outros nos dizendo o que devemos fazer, mesmo que aquela frase “eu lhe falei…” venha a ferir nossos ouvidos. Nós queremos, sempre, fazer o que nos “dá na telha”. Não importa se algo é bom ou ruim, na visão alheia. Queremos ter nossa própria visão das coisas. Por isso é comum que, em certa fase da vida, passemos a contestar nossos pais. Por isso é comum que subordinados não se deem bem com seus chefes e até mesmo pacientes com seus médicos.

Há situações em que fazer o que nos dizem (mandam) é inevitável. Ou nós “ouvimos” nosso chefe, ou ouvimos nosso estômago roncando. Ou nós “ouvimos” nosso médico ou, provavelmente, não ouviremos nada além das paredes de nosso caixão.

Mas, para crescer (amadurecer), é importante que façamos aquilo que desejamos fazer. Aviso aos sofistas de plantão: não falo de experiências criminosas, tampouco sobre Aleister Crowley e seu “faça o que tu queres pois é tudo da lei”. Isso é OUTRA coisa. Falo de coisas (coisas, aliás, que vivi e estou vivendo) como “se quer casar, case”, “se quer mudar de emprego, mude”, “se quer largar a faculdade, largue”, “se quer morar no exterior, more”.

Não é sobre estar certo ou errado – ISSO é muito relativo. Em toda escolha se ganha de um lado e se perde de outro. Só não perde nem ganha quem fica parado. É sobre viver a vida de forma que valha a pena, sobre ter histórias pra contar. Quem não vive, vive de estórias.

Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto trata sobre o “outro lado da moeda”.

Quem nunca ouviu aquela frase: “um dia você será pai também…”?

Pois é. Muitas vezes nós queremos – e fazemos – algumas “besteiras”, ou “loucuras”. Nessa hora, SEMPRE tem alguém para nos dar um conselho, ou até mesmo tentar nos impedir de fazer tais coisas. Sobre isso já falei.

Mas e quando estamos na outra margem do rio? E quando vemos que alguém está prestes a fazer – ou fazendo – uma “besteira”?

No “auge” de meus “longos” 24 anos de idade, eu aprendi uma coisa: não fale NADA. Melhor, dê apoio. Acontece que, se você notou que a pessoa está fazendo uma “besteira”, e essa pessoa é importante para você, você automaticamente sentiu uma vontade incontrolável de ajudá-la – isso é normal. A melhor maneira de ajudá-la, você pensa, é evitando que ela faça tal besteira. Para evitar, você diz pra ela não fazer. PRONTO! Agora sim ela irá fazer – ninguém gosta que os outros lhe digam o que fazer. E pior, você agora é um “inimigo”, e as pessoas geralmente querem distância de seus inimigos – a menos que possam ACABAR com eles. Em todo caso, tua chance de ajudar se reduz a zero. Portanto, controle-se.

Nessa hora, você deve dar apoio, pois ganhará simpatia. Ao ganhar simpatia, você tem um salvo-conduto pra permanecer ao lado da pessoa. E zelar por ela. Se ela quer cair, deixe que caia, mas esteja por perto para ajudá-la a se levantar. O machucado em seu joelho será a melhor forma de ensiná-la que ela não deve cair e acredite, ela vai lembrar de você sem que você diga “eu lhe falei…”. E será grata por isso.

Geralmente, quando vemos uma pessoa num labirinto podemos ver, também, a saída do labirinto. Se há saída, não se preocupe em mostrar pra pessoa. Deixe que ela encontre por si só, pois só assim ela vai aprender o caminho. É mais ou menos como andar pela cidade com um GPS: o dia que ele não estiver lá, você também não estará onde tiver de estar.

É óbvio que não falo sobre “como educar seus filhos” ou crianças em geral. Falo sobre como ajudar pessoas que amamamos, como parentes, amigos, namorados, cônjujes, etc.

Nesse contexto, é melhor ajudar um novo sábio a se levantar que manter um ignorante de pé.

Robson Ribeiro

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Simples assim

Ela acordou pela manhã, feliz da vida – como sempre.

Ele acordou pela manhã, rebugentíssimo – como sempre.

Ela deu bom dia pras plantas, pros pássaros, pra porta, pras paredes, pro pai, pra mãe, pro irmão, pros cachorros, pra mesa, pra pia, pro espelho. Ela deu bom dia pra TUDO que seus olhos viam.

Ele não deu bom dia pra ninguém. Nem pra si mesmo.

Ela tomou banho, se arrumou, tomou café da manhã com a família, conversou bastante com todos eles. Deu uma espiadinha no quintal e falou com os cachorros. Passou pelo santuário, conversou com os antepassados, conversou com o Mestre, e agradeceu. Agradeceu por mais um dia, por estar viva! E assim, feliz, foi pro colégio.

Ele não tomou banho pois o tomara no dia anterior, como sempre. Lavou o rosto, se vestiu – tudo às pressas, pois estava atrasado como sempre – tomou uma xícara de café preto sem ao menos olhar na face de sua mãe, que se levantara apenas para lhe dar o café, e saiu correndo porta a fora. Sua mãe lhe disse alguma coisa, mas ele não ouviu.

Ela notou que o dia estava lindo: o céu azul, o sol radiante, lindas azaléias desafiando o frio do outono e pássaros animados numa conversa matinal.

Ele não notou nada disso.

Ela vestia uma calça jeans boca-de-sino azul clarinho, uma blusinha branca com a oração pela paz mundial, um cinto vermelho e um tênis branco/cinza. O cabelo preso na nuca em “rabo-de-cavalo”. Usava algumas pulseiras no braço esquerdo, brincos discretos e um anel de compromisso no dedo anelar direito.

Ele vestia uma camisa preta de uma famosa banda de heavy metal setentista, uma calça jeans surrada e um tênis preto. O cabelo desgrenhado, crescendo desordenadamente. Quatro brincos na orelha esquerda e dois na direita.

Ela caminhou uns 15 minutos de casa até o ponto de ônibus, onde esperou por mais 10 minutos pela condução, que veio lotada. Com um sorriso no rosto, deu bom dia para o motorista e para o cobrador, passou a catraca e se acomodou lá pelo meio do coletivo.

Ele caminhou uns 15 minutos de casa até o ponto de ônibus, onde não esperou mais do que um minuto pra pegar o primeiro ônibus que chegou, lotado. Com sua carranca habitual, passou – empurrando todos os outros passageiros – para o fundo do ônibus, onde se escorou junto à porta traseira.

Ela chegou na escola 15 minutos antes de tocar o sinal.

Ele chegou na escola no momento em que tocava o sinal.

Ela, calmamente, encontrou algumas colegas, deu bom dia à todas, uma por uma, e foi pra classe.

Ele, estressado, não falou com ninguém e correu pra classe.

Ela sabia em que classe seria a aula naquele dia.

Ele, não.

Ela vinha subindo a escadaria principal do prédio principal da escola, envolta numa conversa muito animada com suas colegas.

Ele vinha descendo a escadaria principal do prédio principal da escola, perdido em seus próprios pensamentos, tentando descobrir pra onde ir.

Ela olhou pra cima.

Ele olhou pra baixo.

Ela olhou dentro de seus olhos, bem fundo. Abriu seu sorriso lindo e sincero – como sempre – e lhe disse: bom dia!

Ele, atordoado, pego de surpresa, lhe respondeu: bom dia.

Ela seguiu seu caminho com as colegas. Passou por ele pelas escadas e levou consigo o coração do rapaz.

Ele sorriu pela primeira vez naquele dia. Pela primeira vez em muito tempo. Estava apaixonado. Simples assim.

Robson Ribeiro

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Eu sou o desapego

De volta pr’esta terra fria e distante não consigo deixar de pensar numa coisa: eu sou o desapego. Criei, pra tentar explicar a tortuosidade da vida, uma teoria. A teoria da espiral. Coisa básica: nós sempre rodamos e sempre chegamos no mesmo ponto, porém, um nível acima. Alguns dirão que podemos também descer os níveis, mas eu não penso assim. Penso que estamos sempre subindo, mesmo quando parecemos descer, assim como os números negativos que tendem a zero e depois deste passam a ser positivos. O fundo do poço é sempre o meio do caminho, não o final. Ainda que alguns insistam em ficar por lá.

Pois bem. Eu sou o desapego. O Sr. Michaelis assim define o desapego:

de.sa.pe.go
(ê) sm (des+apego) 1 Desafeição, desamor, indiferença. 2 Desinteresse. 3 Desprendimento. Var: despego. Antôn (acepções 1 e 2): amor, interesse

Eu sou o desapego nº3. Desprendimento. Os outros dois, pra mim, não existem. Explico: há que se existir muita afeição, muito amor e muito interesse para se ter coragem de desprender-se das pessoas amadas tirando, assim, de suas pernas, os grilhões que lhe impedem o desenvolvimento. Sou o desprendimento porque gosto da liberdade minha e alheia. A liberdade faz parte da genealogia do crescimento, este a força que nos impulsiona na espiral da vida.

É claro que nem sempre pensei assim. Na verdade, sequer pensei sobre isso por grande parte da minha vida e, por isso mesmo, agi sempre de forma totalmente inversa. Tive a sorte, porém, de encontrar pessoas que, conscientemente ou não, me fizeram o grande favor de libertar-me dos grilhões chamados “relacionamentos humanos”.

Sim, os relacionamentos humanos são, em sua maioria, grilhões que nos acorrentam em determinados tempo e espaço, nos impedindo de trilhar nosso caminho pela espiral da vida. Isso acontece porque o ser humano é carente. O ser humano é um animal carente, tem medo de ficar sozinho. Pelo menos o ser humano atual. Por isso tendem a se apegar uns aos outros, de forma que a força gravitacional dessa união impede a cada indivíduo que dela faça parte de alçar seu próprio voo.

Os relacionamentos humanos precisam ser repensados, re-sentidos (não ressentidos).

Em primeiro lugar, devemos compreender a teoria da espiral. Nós SEMPRE voltamos ao mesmo ponto, o que quer dizer que SEMPRE vamos reencontrar aquelas pessoas especiais, que marcaram nossa vida. Ter esta convicção torna tudo mais fácil. Eu sei que vou te reencontrar, e que você (e eu) estará um nível acima na espiral, terá crescido.

Saber que vais reencontrar estas pessoas, por si só, já é um bom pensamento. Saber que vais reencontrar, além das pessoas, um relacionamento mais maduro e portanto mais prazeroso, é motivo suficiente pra deixá-las viver o que têm pra viver. Paralelamente, viverás também o que tens pra viver, e amaducerer também a si próprio.

O segundo ponto é quanto a memória. A memória é testemunha-chave da consciência, nosso advogado-do-diabo (chamado por Freud de superego). Portanto, tua memória deve registrar bons momentos vividos ao lado das pessoas que amas, pois é muito mais fácil desprender-te das pessoas quando tens certeza de que não perdeste tempo precioso com bobagens. Tempo perdido nós sempre vamos tentar recuperar. Impossível. Recuperar tempo perdido é perder tempo vindouro, o que dá na mesma, o prejuízo está sempre lá.

O desapego deve ser praticado em todos os relacionamentos. Tenho que dizer que o desapego não se aplica apenas aos casos cuja separação é o melhor a ser feito. Ele se aplica mesmo em relacionamentos cuja presença é imprescindível, como o casamento.

O último ponto, porém a ordem dos fatores não altera o produto, é o seguinte: para que consigas desapegar-te das pessoas, deves estar muito bem consigo mesmo. Deves pensar, estar ciente e consciente de tua própria vida, do que tens e do que precisas, para que possas viver tua própria vida com propriedade.

Robson Ribeiro

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