O telefonema

Ontem, quando saí de casa, o dia estava lindo. O céu azul mais parecia um mar aberto sem ondas. Nem barcos. Nem peixes e muito menos tubarões. O sol estava radiante, os pássaros cantavam e o pessoal fazia seu cooper rotineiro na praça. Como eu poderia imaginar que ia chover?

Mas foi exatamente isso o que aconteceu, e você sabe, eu sempre ando com o celular na mão. Não gosto de andar com mochila e muito menos pochete, então é fácil imaginar o que aconteceu. O telefone molhou, e pifou. Simplesmente pifou, não fazia nem recebia ligação nenhuma! Fiquei molhado e com celular pifado.

Tive que ir até uma loja para comprar outro aparelho, mas você sabe, as lojas só abrem as 10 horas nos shoppings e ainda eram 8 da manhã. Tive de esperar do lado de fora, e foi nessa hora que aqueles dois sujeitos me abordaram:

    • Passa pra cá o dinheiro e o telefone!
    • Como?
    • É um assalto mané, passa pra cá a grana e o telefone, anda!
    • Tudo bem, não precisa grit… AI! Não precisa bater! Toma o dinheiro.
    • E o telefone?!
    • Olha, eu não posso dar o tel… AI! Olha aqui, já chega, não vou dar o… AIAI! Tudo bem, leve o telefone…

Sim, é o que estou dizendo, eles me bateram e levaram o dinheiro e o telefone pifado. É claro que eu poderia ter dado uma lição naqueles sujeitos, mas você sabe, eu sou da paz. Só que sem telefone e sem dinheiro tive de ir ao banco. Passei em casa para pegar o cartão e fui à agência.

A caminho do banco, um acidente horrível! Um motoboy decidiu verificar se os pneus da lotação em que eu me encontrava estavam carecas, e o fez com a van em movimento! Não amor, ele não morreu. Na verdade nem se machucou, mas você sabe, esses acidentes com motoboys geram uma aglomeração dos diabos. Tive de esperar no local até uma viatura da polícia militar chegar e colher os depoimentos dos passageiros. Resumindo, cheguei no banco 12:30.

Fui direto ao caixa automático. Inseri o cartão, selecionei a operação, digitei a senha e… como assim, senha incorreta? Repeti a operação outras duas vezes, e outras duas vezes a senha não bateu. Pois é amor, foi isso mesmo que aconteceu, o cartão ficou bloqueado. Sim, eu tentei falar com o gerente, mas ele estava em horário de almoço, então tive que pegar uma senha e esperar. Ele resolveu o meu problema, por volta de 15 horas, mas tive que ir à boca do caixa sacar com o RG, pois o novo cartão só chega em casa depois de “alguns” dias úteis.

Quando cheguei no shopping de novo já era quase 5 da tarde, então antes de comprar o novo celular, eu fui comer alguma coisa. A “McLanchonete” tava apinhada de gente como sempre, e você sabe, eles sempre apressam a gente na hora de fazer o pedido.

Depois que eu comi, fui pra loja de telefonia. Escolhi o celular mais simples, fiz o plano mais simples, mas na hora de pagar foi complicado explicar que tinha perdido o dinheiro (provavelmente na hora em que paguei o lanche) e não poderia levar o bendito.

Voltei pra casa andando. Pois é amor, três horas de caminhada. Cheguei exausto quase dez e vinte da noite, e você sabe, minha mãe dorme super cedo. E adivinhe só – perdi também as chaves do apartamento e dormi na escadaria do prédio .

E foi por isso que não pude te ligar ontem, amor. Claro que não esqueci nosso aniversário de namoro! Como você pode pensar uma coisa dessas? O quê, você quer terminar? Mas por que amor? Tá cansada das minhas mentiras? Mas é tudo verdade, eu juro! Quê?! Como eu explico o fato de você estar com meu celular em suas mãos neste momento?
‘ Tudo bem amor, você venceu. Deixa eu te contar a verdade…

Robson Ribeiro

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2 Comentários

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2 Respostas para “O telefonema

  1. Marcelo

    Isso eh ficção ne?
    hahaha

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