Comunicado

Por questões práticas,  acabo de migrar este blog para o Blogger. O endereço continua (quase) o mesmo: http://www.robrobinho.blogspot.com

Novas postagens serão feitas, à partir de hoje, no novo endereço!

Obrigado pelas visitas!

Robson Ribeiro

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Felicidade I

Felicidade não é ter dinheiro,

isso é consequência.

Felicidade não é esbanjar,

isso é aparência.

Felicidade não é se apegar a alguém,

isso é dependência.

Felicidade não é ter talento,

isso é latência.

-x-

Felicidade é ter um objetivo

e seguí-lo com inteligência.

Felicidade é tropeçar, cair,

e se levantar com frequência.

Felicidade é acompanhar o ritmo

sem perder a sapiência.

Felicidade é percorrer o caminho

entre o querer e o conquistar.

E haja paciência.

2 Comentários

Arquivado em Poesia

Sobre a comunicação

Um pequeno prefácio

Quando trabalhei na área de garantia da qualidade, na implantação de sistemas da qualidade (a famosa ISO 9000), aprendi um conceito que não está presente no Michaelis: a diferença entre eficácia e eficiência. Basicamente, eficácia é “fazer a coisa certa” e eficiência é “fazer da melhor forma”.

Sendo assim, imagine que seu objetivo seja cortar um pão como uma faca. Se você corta o pão, mas corta o dedo junto, você foi eficaz – pois atingiu seu objetivo – mas não foi eficiente, pois cortar o dedo não fazia parte do plano inicial. Ou então imagine uma corrida onde todos os pilotos completam todas as voltas: todos foram eficazes, porém tiveram níveis diferentes de eficiência: o primeiro foi mais eficiente que o segundo e assim por diante.

Sobre a comunicação

Neste nosso mundo atual muito se fala sobre a comunicação. Ela se tornou objeto de estudos profundos, visto que a mesma quando bem feita aumenta a produtividade de qualquer coisa em qualquer área.

Desta forma, os especialistas dizem que para haver comunicação é preciso que haja um emissor, um receptor, uma mensagem, um meio e etc. À partir deste estudo, a comunicação técnica obteve grande avanço – seja por meio de manuais escritos, desenhos técnicos ou mesmo de forma verbal. O problema é que fora deste contexto a comunicação não tem a mesma eficiência – nem a mesma eficácia, eu diria.

Quando lidamos com linguagem técnica, lidamos com uma comunicação matemática. As coisas são ou não são como num sistema binário (que trabalha apenas com 0 e 1, sim ou não), sem que emissor e receptor possam interferir com interpretações pessoais sobre a mensagem. Mas não é assim quando se trata de relacionamentos humanos. Nestes, a mensagem assume significados diferentes para emissor e receptor.

Nós dificilmente ouvimos o que nosso interlocutor está dizendo. Geralmente, ouvimos o que “achamos que ele quer dizer” – e é aqui onde começam os equívocos na comunicação. Isso acontece porque cada ser humano tem conhecimentos e vivências diferentes e, a partir disto, busca interpretar o mundo à sua volta. Essa interpretação atinge também as mensagens que recebemos diariamente e isso se aplica a todos os tipos de comunicação citados anteriormente.

Durante um diálogo – tomo por diálogo qualquer situação onde ocorra comunicação, ou seja, qualquer atividade em que haja emissor, receptor e mensagem, como uma conversa (formal ou informal), uma leitura, assistir a um filme ou a uma peça de teatro, etc. – existem basicamente dois tipos de comportamentos adotados pelo ser humano: o separado e o ligado.

O comportamento separado é aquele em que o receptor recebe a mensagem e tenta – as vezes de maneira automática – encontrar uma brecha que possa explorar com o intuito de derrubar o argumento do emissor. Este comportamento é comum, para citar alguns exemplos, entre discussões de casais, pais e filhos, advogados de defesa e acusação, etc. Ou seja, o comportamento separado está, quase sempre, presente num contexto de conflito.

O comportamento ligado, como os próprios nomes sugerem, é exatamente oposto ao comportamento separado. No ligado, o receptor está realmente interessado em compreender o ponto de vista do emissor. Isso não quer dizer que o receptor vá concordar com este ponto de vista, mas qualquer julgamento que ele venha a fazer sobre a questão será tecido apenas depois de compreender de fato do que se trata a questão. Este é – ou deveria ser – um comportamento comum entre mestre e aprendiz.

Partindo destes dois princípios, para garantir a eficácia e aumentar a eficiência da comunicação, é necessário fazer uma análise de cada situação e uma escolha consciente entre os dois tipos de comportamento deve ser feita.

Sabendo qual a questão em pauta, e escolhendo o melhor comportamento para adotar durante o diálogo, as chances de atingir o objetivo serão muito maiores. Alguns exemplos:

Se você recebeu uma ligação do tipo “tele(chato)marketing”, elegantemente separado (afinal o pobre operador é um ser humano e tem família pra sustentar) destrua seu interlocutor e coma-lhe o fígado sem dó.

Por outro lado, se tua mulher (namorada, amante, esposa ou todas-as-anteriores) está te pentelhando, gentilmente ligado compreenda o por quê daquela toalha molhada e embolada em cima da cama a incomodar tanto. Desta forma, as famosas DR terão um final feliz, ao melhor estilo “assassino profissional” – rápido, limpo e sem dor – e você poderá, enfim, assistir ao jogo de domingo em paz.

Robson Ribeiro

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamento

Joelho Ralado

Não importa o quanto o chão seja duro

Não importa se você tem medo do escuro

Não importa se estás ou não maduro

Levante-se

Não importa se te deram uma rasteira

Não siga tapando o sol com uma peneira

Ficar se lamentando é uma grande besteira

Levante-se

Não importa se você sente-se sozinho

Não importa se você não tem um ninho

Uma hora terás de voar como um passarinho

Levante-se

Não importa se você tem receio

Não importa o motivo do seu bloqueio

Você tem de mostrar a que veio

Levante-se

Não tenha medo de cair novamente

Dói muito mais quando a gente pré-sente

Mas se acontecer de novo, não se lamente

Levante-se

Você tem que se doar ao mundo

Por mais que este seja imundo

Mudá-lo é seu desejo mais profundo

então Levante-se!

De fato, quanto maior o voo maior a queda

Mas quanto maior a queda maior é a lição

E quanto maior a lição mais forte ficamos.

Robson Ribeiro

4 Comentários

Arquivado em Poesia

Memória-previsão

Paradas ali, de fronte uma pra outra,

as criaturas queixavam-se da própria sorte:

A mais nova dizia: tenho inveja de você, Lua.

Você tá sempre aqui em cima, descansando.

Você tem todas as estrelas ao seu redor.

E você não precisa fazer mais nada.

A mais velha: pois eu te invejo, Fada.

Você ainda tem suas belas asas.

Você ainda não se prendeu à uma rotina.

Você ainda não precisa esconder uma das faces.

Quando dei por mim, pensei:

Acho melhor parar de reclamar do espelho.

Deixe um comentário

Arquivado em Poesia

O beat da beata (título emprestado)

Ela era, ainda, uma incógnita. Havia demonstrado interesse por diversas vezes, enquanto eu era comprometido. Quando fiquei solteiro, porém, não deu muita abertura às minhas investidas. Na verdade, não deu nenhuma.

Nós (o Emerson, o Gui e eu – democraticamente em ordem alfabética) tínhamos o hábito de dar apelidos às garotas, afinal, nós sempre falávamos de tantas garotas que era impraticável lembrar de todas elas “apenas pelo nome”. Elas precisavam de um rótulo pra serem identificadas de imediato.

    • …ela não ligou. Eu não sei mais o que fazer, acho que vou desistir de sair com ela. – desabafei com os rapazes.
    • Espera aí, ela quem? – perguntou o Gui.
    • A Ju, já falei. – respondi, meio indignado. Parecia que não prestavam atenção.
    • A, “a Ju”. Grande coisa. Como vamos saber qual de suas 419 paixões desse mês é a “Ju”? – defendeu-se o Gui.
    • Verdade – interveio o Emerson – você tem que dar um apelido pra ela.

Pensei. Qual era a característica mais acentuada que eu conhecia daquela moça?

    • Tá bom. Então “essa” vai ser a “Beata”.

Beata! Uma lâmpada acendeu-se sobre minha cabeça – aquela das ideias geniais. “Por que eu não pensei nisso antes?” – pensei.

    • Já sei como vou fazer pra sair com ela!

Contei-lhes o plano.

    • Nossa! Isso é perfeito! Você não presta, mas o plano é perfeito! – disseram os dois, quase em uníssono.

Dois dias depois, falei com a Beata pelo MSN:

    • …e por isso eu não pude ir na visita técnica que a escola promoveu. Pior que é muito importante que eu assista, pois haverá uma prova sobre isso. Você não gostaria de ir comigo? – perguntei.
    • Mas é claro!! Nem acredito! Eu nunca fui assistir! Nunca pensei que você me chamaria prum lugar desses! Faz assim, eu te ligo amanhã pra gente combinar melhor!
    • Mas vai ligar mesmo, ou vai me deixar no vácuo como da outra vez?

Ela ligou.

Marcamos o passeio pro dia seguinte.

Era domingo de manhã – alguns dirão que 10 horas da manhã é madrugada prum domingo. O dia estava simplesmente lindo! O céu bem azulzinho, limpinho. Temperatura muito agradável, algo em torno dos 25 graus. Os prédios enormes projetavam uma sombra por todo o Largo, e uma brisa geladinha me tocava o rosto. Era uma manhã perfeita pro romance. Eu estava encostado junto à saída do metrô esperando ela chegar.

    – Nossa – falei, surpreso (talvez até demais) – você está linda!

Ela vestia uma sandalhinha, calça jeans, uma blusinha branca com alguma coisa cinza (não sei o que era aquilo!) sobre os ombros. O cabelo curto repuxado num rabinho-de-cavalo com algumas “mini-piranhas” prendendo umas madeixas rebeldes e o rosto levemente maquiado – o mínimo pra dar um toque sensual, e o máximo pra não incomodar o…padre?! Sim. O padre.

Calma. Não a pedi em casamento – já passou o tempo em que as beatas (e as mulheres em geral) se guardavam pra casar de branco.

    • Obrigada – ela respondeu. Vamos entrar?
    • Claro! Já vai começar!

Entramos. Ela fez o sinal da cruz.

O Mosteiro de São Bento (São Paulo, SP) foi a minha salvação. Chamei a Beata pra assistir ao Canto Gregoriano das missas de domingo. Como estudante de regência, era mesmo necessário assistir. Como conquistador barato, foi a última cartada – desesperada, confesso – pra conseguir sair com a moça e não perder a moral.

Deu certo. Depois de longas duas horas em pé ouvindo cantos em latim e sermões em grego – pra mim os padres sempre falam grego – nós demos uma volta pelo centro da cidade e, bom, não preciso entrar em detalhes…

Robson Ribeiro

Deixe um comentário

Arquivado em Crônica

A linha tênue entre o sonho e o pesadelo

Faltavam 20 minutos pra meia-noite, era sexta-feira e a rua estava atipicamente calma – o boteco não tocava forró, nem música ao vivo; nenhum carro tocava funk em volumes insanos; nenhum vizinho brigando. Era noite de lua cheia e fazia muito calor. Eu estava na cama, deitado, naquele estado semi-consciente que a gente fica quando tá muito cansado mas não consegue dormir:

“…É, dessa vez o Jack tá perdido. Quero ver como ele vai descobrir quem é o traidor antes de matarem sua filha… Amanhã o dia tá cheio, graças a Deus. Até que a gente tá conseguindo bastante alunos de violão – ufa! As bandas também têm aparecido pra ensaiar, acho que esse mês a escola paga suas próprias contas e ainda sobra um pouco…A Ná já tá dormindo. Tadinha, tem sido muito puxado esse trabalho novo dela…”

“…Que barulho foi esse?…Hum, acho que não foi nada, senão o Mané estaria latindo. Desde que invadiram a escola da primeira vez e nós passamos a dormir aqui nos fundos eu não passo uma noitezinha sequer sem essa apreensão. Mas Deus há de proteger a gente…”

De repente, sem nenhum aviso prévio, ouvi um barulho na porta do quarto, alguma coisa raspando-a e forçando-a:

“…Mas esse Mané é um cãozinho sem-vergonha, tá tentando entrar aqui no quarto de novo. Eu sei que o cocker é uma raça muito carente, e sei que nós o acostumamos a dormir com a gente. Mas essa edícula que chamamos de “quarto” já é pequena demais pra mim e pra Ná – não dá pra dividir com o Mané. Ademais, é importante que ele durma lá fora pra – por que ele tá latindo desse jeito? Não é um latido normal, como aquele que late pros gatos. Esse tá mais bravo, mais urgente. Acho que vou ver o que é…”

Levantei da cama e dei uma espiada na janela:

“Ah filho da puta!”

Sai correndo, o Mané atrás de mim, latindo muito. Entrei na casa principal do terreno – onde era nossa escola de música – pela porta dos fundos, que dava acesso à recepção (onde ficava também a porta pra rua). Peguei a primeira coisa que vi pela frente.

O Mané voltou, foi avisar a “mamãe” dele.

Com o cabo da vassoura em riste virei-me pra porta de acesso ao corredor, que por sua vez dava acesso às salas de aula. Ele já estava lá, e não pôde conter a cara de espanto ao me ver – talvez esperasse que a escola estivesse vazia como da outra vez que entrou e fez a festa (levou quase R$ 5000,00 entre equipamentos e instrumentos). Eu já tinha perdido o controle.

Quebrei o cabo da vassoura na cabeça dele e o agarrei pelo pescoço antes que pudesse reagir. Nessa posição, dei-lhe alguns socos no rosto enquanto o apertava com o outro braço, sufocando-o. Nessa hora a Ná apareceu na porta dos fundos, o Mané junto, latindo.

    • AI MEU DEUS! – ela gritou. Talvez o grito mais desesperado que eu já ouvi.

Ele aproveitou minha distração e se desvencilhou de mim. Correu em direção à porta dos fundos – onde estava a Ná – com esperança de fugir por ali. Corri no seu encalço. No quintal, ele percebeu que não tinha por onde sair e resolveu negociar:

    • Abre a porta que eu vou embora – o nariz dele sangrava.

Eu só queria vê-lo longe da minha família. Foi exatamente o que eu fiz. Ao ver-se livre, ele desdenhou: “falou trouxa!”.

Tranquei a escola.

Tentei me acalmar.

Tentei acalmar a Ná.

Tentei acalmar o Mané.

Liguei pra polícia, que demorou cerca de uma hora pra atender nosso chamado. Quando chegaram, expliquei o que aconteceu: “…então eu olhei pela janela do quarto e vi uma luz acesa na sala de aula, onde um vulto mexia nas coisas dentro do armário. Saí correndo e…”.

Não é preciso dizer que a polícia não fez nada.

Naquela noite não conseguimos dormir.

Um mês depois fechamos nossa escola – e assim acabou-se nosso sonho.

Robson Ribeiro

2 Comentários

Arquivado em Crônica